O Costurado de Torreões | OBMM



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  Dizem que, quando era de dia, era possível ouvir gritos abafados vindo ao sudeste de Torreões, gritos esses que vinham de dentro do mato ou, melhor dizendo, que vinham próximos ao Rio do Peixe.

  O povo de Juiz de Fora temia por se aventurar em trilhas e colinas quando era de dia, pois esse ser era conhecido por ser diurno.

  Pessoas que supostamente foram socorrer o indivíduo nunca mais foram vistas.

  Seu grito era de puro terror e agonia, e como a maioria das pessoas já estavam cientes sobre isso, o monstro também buscava outros métodos para atrair suas presas.


HISTÓRIA


  Por volta dos anos 2000, em 2003, para ser mais específico, Juiz de Fora inteira ficou em alerta sobre o desaparecimento de uma jovem chamada Milena, que havia 16 anos na época em que desapareceu.

  Milena Isaías dos Santos nasceu em 1986, na cidade de Juiz de Fora. Ela estava prestes a completar 17 anos. Seus únicos pertences encontrados foram roupas que estavam próximas ao Rio do Peixe, um celular, documentos, uma garrafa de água e sanduíches. O que as autoridades estranharam e intrigaram-se na época foi que, por cima das roupas, havia o cabelo loiro dela inteiro assim como pelos do corpo todo. Isto incluía os pubianos e os anais, mas nenhum sinal do cadáver.

  A mãe da Milena faleceu quando paria e não pôde ver sua filha, apenas o Gustavo, seu pai.

  Gustavo passou a cuidar sozinho da filha (sem a presença da mãe da criança), recebendo apoio da família da falecida e de sua família também, recebendo especialmente o apoio de Sheila, sua mãe. Quando ele tinha de ir trabalhar, Sheila cuidava da menina e quando estava de folga, Gustavo recompensava as duas indo passear, tomar alguma coisa, etc.

  Conforme Milena crescesse, sua vida social começava a se desenvolver, mas nunca foi de ter muitos amigos durante a infância, tendo o Olavo (seu primo materno) como o seu melhor amigo. Quando era final de semana, Sheila (às vezes o Gustavo) acompanhava a menina até o ponto de ônibus, saindo de São Mateus e indo para Torreões.

  Porém, na adolescência, Milena conhecia pessoas novas e gradualmente deixava de ir visitar sua tia Cleide (mãe de Olavo). Consequentemente, Olavo sentiu-se muito triste e com raiva, pois tentava manter os laços como na infância, mas sua prima não parecia se importar muito com isso por ter conhecido um garoto do qual a jovem havia se interessado.

  Houve uma discussão e um rompimento de laços.

  Ambos costumavam passear pelos cantos não muito longe de Torreões, sendo o Rio do Peixe o lugar preferido deles. E, nesse momento, Olavo estava tão transtornado com o término que apenas pensava em se vingar. Infelizmente, o garoto sofreu um acidente não proposital por ele próprio, tendo sido picado por uma armadeira e levado às pressas para o hospital, mas não resistiu, o que abalou Milena profundamente.

  Milena se lembrou rapidamente dos momentos que teve com o seu primo no Rio do Peixe e passou a ir visitar o lugar todos os finais de semana, pois sentia que conseguia se conectar com seu primo, acreditava que o local era sagrado e emitia a boa energia da infância que os conectava em planos diferentes, com a Milena estando no plano real e o Olavo, no espiritual. Queria apenas o seu perdão.

  Pela última vez que ela foi vista por sua tia, Milena dizia que iria caminhar por Torreões como sempre fazia, saindo de casa ao meio-dia após almoçar, e deveria retornar pelo menos antes de anoitecer, mas não foi o que aconteceu. Preocupada, Cleide ligou para a menina diversas vezes, e sempre estava indisponível. Não queria preocupar ninguém, decidindo esperá-la até às 19 horas; não veio.

  Desesperada, Cleide saiu à procura da menina, perguntando para os moradores de Torreões se haviam visto Milena até uma pessoa lhe responder que havia visto a menina ir para o sudeste há horas atrás. As horas iam passando, e nada da menina, o que forçou Cleide ir para Juiz de Fora para contatar Gustavo e Sheila, e ela, por fim, registrou um boletim de ocorrência de desaparecimento.

   No dia seguinte, de manhã cedo, as autoridades juntas com a família da garota foram ao seu lugar preferido e encontraram seus pertences nestas coordenadas (-21.873399,-43.541601).

  Seu desaparecimento foi no dia 3 de abril de 2003, sendo vista pela última vez às 13h32.


AS EVIDÊNCIAS DE 2003


  Suas roupas como: short e blusa esportiva, assim como suas roupas íntimas foram analisadas pela perícia, sendo encontrado somente resíduos do próprio corpo ou da própria parte íntima. Nenhum sinal de violência ou de abuso sexual; as roupas estavam intactas. Era como se Milena tivesse as removido por conta própria e ido tomar banho no rio. Por outro lado, tanto ela quanto Olavo não costumavam se banhar, eles apenas costumavam ficar sentados próximos à margem, isso alegado por Cleide e por outras testemunhas.

  Seu celular foi encontrado desligado e carregado, sendo utilizado pela última vez por volta de 12h27 (suposto horário de sua saída de casa), havendo diversas chamadas perdidas. O aparelho foi analisado e constataram que não haviam encontrado nada de suspeito, somente fotos e mensagens normais. Não havia sequer um número desconhecido em seu histórico de chamadas.

  Documentos como: CPF e RG estavam guardados em sua mochila, nada além disso. A garrafa de água estava pela metade e três sanduíches embalados por papéis alumínios sequer haviam sido tocados. Porém, a pior parte da investigação foi o cabelo inteiro de Milena assim como seus pelos pubianos, anais, pelos dos braços, das pernas, enfim, pelos do corpo todo, todos eles estavam sobre as roupas.

  De início, suspeitaram que haviam deixado Milena literalmente pelada, mas não foi encontrado pistas tanto no cabelo quanto nos pelos. Ainda assim, com todas essas evidências, as autoridades continuaram a buscar pela menina, e por mais que seu cabelo estivesse cheiroso, nem os cães sabiam o que fazer, pois os rastros começavam e terminavam no mesmo lugar.

  Era como se Milena tivesse desaparecido no ar.

  Com o passar dos anos, as buscas foram esfriando, e foi declarado pelo juiz que não havia mais o que fazer; Milena foi declarada morta de forma presumida (morte presumida).

  Não querendo aceitar isso, Gustavo foi no local em que as evidências haviam sido encontradas e nunca mais foi visto. Ele ainda havia avisado a sua mãe de que iria fazer isso, avisando também a Cleide, que não concordou com o rapaz. E foi a partir desse dia que as pessoas que passavam perto do lugar ouviam gritos.

  Cleide se mudou de Torreões, voltando para Belo Horizonte, onde sua família morava e Sheila continuou a morar em São Mateus, vivendo nesse bairro até os dias atuais.


TEORIAS


  Como seria e por que esse monstro recebeu o nome de "O Costurado de Torreões"? Vamos às teorias!

  A primeira teoria é de que sua boca seria costurada como seu ânus e seus ouvidos. A família não gosta de falar sobre o desaparecimento tanto de Milena quanto de seu pai, e as pessoas acreditam que Gustavo possa ter sido sequestrado como Milena e passado a servir como uma isca para desavisados. Talvez Gustavo tenha ouvido o grito de sua filha e caído na armadilha, sendo então sequestrado, costurado e servente do monstro que seria o líder e o responsável pelo desaparecimento de Milena e Gustavo.

  Certas pessoas acreditam que, como o Olavo morreu com um sentimento de vingança, isso afetou o Rio do Peixe, o que fez Milena querer se conectar com seu primo de qualquer forma possível, sendo sequestrada como uma maneira de ser perdoada por ele. Olavo gostava de costurar e até pensava em ser estilista e certas pessoas acreditam que ele tenha se tornado um monstro, tendo sido também enterrado no Cemitério de Torreões; nos dias atuais, não há mais lápide sua, muito menos seu corpo, o que faz certas pessoas acreditarem que ele está mais livre do que antes, se tornando um pesadelo e até convivendo em sociedade apenas para enganá-la por benefício próprio ou para recrutá-las (?).

  A segunda teoria é de que Torreões foi amaldiçoada, tornando-se um centro de monstros desconhecidos e entidades malignas. Por conta disso, muitas pessoas se mudaram para a cidade por acreditarem que estavam sendo recrutadas para formar um exército de monstros. Acreditavam também que todo o Rio do Peixe havia sido tomado por esse monstro e o fato desse rio ter mais de 180 km de extensão e cursar por diversos lugares do interior, fez com que certa parte da população de Minas Gerais temesse O Costurado de Torreões.

  A terceira teoria é de que alienígenas estão abduzindo pessoas peladas e as utilizando como cobaias para atraírem outras pessoas, tornando a humanidade aos poucos serventes deles.

  Há diversas teorias, mas estas três são as mais interessantes e possuem declarações em comum. No entanto, o que mais intriga a todos é o relato do nativo Matias Çuácêpé, O Caçador dos Monstros Modernos (fonte: www.dicionariotupiguarani.com.br).


O RELATO DE ÇUÁCÊPÉ


  Fui convocado pelo prefeito a investigar os arredores de Torreões. Me ofereceram cem mil reais para esse trabalho. As autoridades haviam investido em vão, então eu era a única esperança. Me sugeriram que eu investigasse de dia, pois o monstro era diurno. Porém, preferi fazer isso à noite apenas para encontrar o seu esconderijo.

  Levei dias... Semanas... Duas semanas, para ser mais exato. As pessoas não estavam mais desaparecendo. Talvez o monstro soubesse e temesse a minha presença, até porque eu conhecia o Brasil como ninguém, eu era mais do que um simples nativo, muito mais do que um indígena.

  Encontrei o esconderijo; se encontrava ao leste de Torreões, debaixo de uma ponte. Para ser mais exato, debaixo d'água. A entrada era protegida por espinhas de peixes e peles humanas conservadas. Para adentrar, tive que remover a proteção. Foi assim que eu encontrei o Costurado de Torreões: encolhido como um feto, já sem vida.

  Sua boca realmente era "costurada" (em outras palavras, nunca teve boca), mas ele não tinha nariz. Ao invés disso, o monstro tinha guelras nas bochechas. Estava completamente nu, essa criatura humanoide. Estava desnutrido, então me veio um questionamento: como ele se alimentava?

  O removi da água e o deixei próximo à margem do rio.

  Sua pele era parda e escamosa como sua cabeça raspada. Verifiquei seu órgão genital e percebi que sua glande estava exposta e com um buraco que exibia dentes afiados como os de peixes. Muito bizarro! Por outro lado, a população de Juiz de Fora acalmou-se com a notícia de que o Costurado de Torreões havia sido encontrado sem vida.

  De onde veio essa criatura solitária?

  Depois, isso virou notícia em todo Brasil, fizeram uma investigação em seu esconderijo e ficaram chocados com peles humanas altamente conservadas, como se o monstro removesse as peles de suas vítimas após saciar sua fome. Fizeram um memorial no centro do Parque Halfeld das pessoas que o monstro havia assassinado e a última pessoa desaparecida tinha a pele parda. Não podia ser coincidência!

  Recebi minha recompensa e ainda examinei a criatura ao lado de outros médicos. Chegamos à conclusão de que ele se alimentava pelo pênis. Ele não se importava se fosse homem ou mulher, contanto que fossem saudáveis e deliciosos. De alguma forma, o monstro conseguia deixar suas vítimas literalmente peladas sem deixar pistas, penetrava nelas, injetava uma substância que se espalhava rapidamente pelo corpo e, após isso, começava o processo de drenagem.

  O monstro se livrava daquilo que lhe era inútil, ou seja, cabelos e pelos, até mesmo cílios. Ele injetava uma grande quantidade de ácido fluorídrico (HF) para dissolver tanto os órgãos quanto os ossos, mas por algum motivo, a pele não era dissolvida no processo, ou talvez porque ele removesse a pele antes de dar início ao seu procedimento, o que era bem provável (fonte: www.cienciaemacao.com.br).

  Ele caçava de dia e se alimentava de noite, em seu esconderijo. Sua penetração apenas ocorria nos ânus e o monstro apenas parecia ser um animal selvagem em busca de sobreviver, mas a minha presença o fez permanecer no seu esconderijo, me esperando ir embora. Porém, de tanto esperar, acabou morrendo de fome.

  Milena e os outros infelizmente tiveram mortes cruéis nas mãos dessa criatura horrenda! Ao todo, foram 36 vítimas desde 2003 até 2007. Meus pêsames às famílias!

  O pior disso tudo é que, depois das drenagens, ele adquiria tons de pele como as de suas vítimas.

  O Costurado de Torreões podia ter sido uma pessoa normal que sofreu uma maldição de alguém que queria o mal para a população brasileira. Em algum momento, eu iria encontrar esse sujeito!

  Fim do relato!

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