BACMGGSTP - O Terror dos 9 países | OBMM



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  O mundo parecia enfrentar uma grande pandemia, mas, na realidade, somente 9 países sofriam com a doença infecciosa. Foi apelidada de: BACMGGSTP - O Terror dos 9 países, dentre eles: Brasil (América), Angola (África), Cabo Verde (África), Moçambique (África), Guiné-Bissau e Guiné-Equatorial (África), São Tomé e Príncipe (África), Timor-Leste (Ásia) e Portugal (Europa). 

  Macau, por ser uma região especial administrativa da China como Hong Kong, não foi afetada, o que gerou questionamentos na reunião da OMS. Até então, Çuácêpé não tinha respostas para isso e que investigaria melhor, mas teorizou o seguinte: o foco da entidade talvez fosse países e não, cidades. Além disso, caso o português viesse a desaparecer, ainda restaria uma parte da população chinesa que ainda dominaria o idioma, mas que gradualmente, poderiam, por conta dessa doença infecciosa, desaprender a falar a língua nas próximas gerações, evitando a continuação de uma desgraça.

  Essa doença era mais poderosa e letal no Brasil, onde o surto começou em Brasília e se espalhou nacionalmente. O vírus parecia afetar somente alvos específicos, pois era controlado pela entidade. Pessoas que eram afetadas passavam por uma semana inteira dolorosa antes de morrerem de falar.

  Nas primeiras horas, a pessoa falaria sem quase nem respirar, não se hidratando ou se alimentando, apenas evacuando ou expelindo. Depois de 24 horas, o pescoço ficaria inchado, a barriga ficaria dolorosa e a pessoa ficaria agressiva, não querendo se alimentar ou repor-se. Isso se estenderia por dias até começar a ficar fraca e a falar menos, inclusive, sem dormir desde o primeiro dia.

  Houve casos de espancamento de funcionários em hospitais, que foram agredidos pelos infectados até a morte. Depois de tanto falar, o doente morreria de fome, ou de parada cardíaca, ou de alguma outra doença pelo fato de a sua imunidade ter diminuído, etc. Porém, eles morriam e mais civis eram infectados, quando, depois de um tempo, Najustí apareceu em frente ao Congresso Nacional e anunciou a todo o país que apenas iria interromper a doença em outros países caso o Brasil fosse deixado para os monstros, sendo que a comunidade indígena não era afetada.

  Em dúvida, Çuácêpé foi visitar a Anciã Samaúma, a árvore sagrada de 1000 anos que possuía enormes sapopemas. Queria respostas do espírito guardião, pois, como era possível uma árvore que, ao invés de ter seu poder concebido para o bem, estava sendo concebido para o mal? Não era o que os povos indígenas queriam para o Brasil e para todo o povo brasileiro.

  Os próprios povos indígenas, aliás, estavam sendo contra as atitudes de Najustí. Foi então que Çuácêpé foi respondido e informado de que Najustí era um dos grandes herdeiros de uma longa linhagem de 1000 anos. Os antepassados haviam sido abençoados ao encontrarem a árvore ainda jovem, então a protegeram com unhas e dentes, pois sentiam-se atraídos por ela, como se fosse algo especial, espiritual.

  Ao longo de gerações, os antepassados protegeram essa árvore. Porém, anos mais tarde, a Amazônia sofria com o resto do planeta, e a Anciã Samaúma estava sendo ameaçada. Najustí decidiu agir, porém, da pior forma possível, usando o poder herdado para o mal, enquanto em sua consciência, ele acreditava que estava tomando o Brasil de volta para o seu povo.

  Os monstros serviam aos indígenas e os grandes herdeiros serviam à Anciã Samaúma.

  Çuácêpé também era um dos grandes herdeiros.

  No entanto, a dúvida permaneceu em sua mente: quem era Najustí? Pois esse nome era somente um apelido. O óbvio seria pensar que fosse algum indígena revoltado tanto com a situação do Brasil quanto com a situação do mundo, e o certo seria deduzir que fosse alguém com um espírito protetor muito poderoso ao ponto de ser convocado pela Anciã Samaúma para protegê-la. Havia uma perceptível diferença dos povos indígenas para os grandes herdeiros, isso era um fato.

  Antes mesmo do nascimento, já era possível saber quais crianças seriam grandes herdeiras que iriam ser concebidas pelo poder sagrado do espírito guardião. Eram levadas ao local sagrado por sábios caiapós, sendo colocadas próximas às sapopemas, recebendo pequenas gotas diferentes de sangue coletadas dos pais (de forma mais esclarecida, ao dar à luz a uma criança herdeira, a mãe teria uma gota de sangue coletada assim como o pai para que fosse possível realizar o juramento de sangue e o não cumprimento disso comprometeria a vida da criança. Isto era, não colaborar com o ritual sagrado. Depois de derramar o sangue na testa da criança, o espírito guardião iria confiar nos pais e iria conceber o poder para o grande herdeiro, que iria dedicar sua vida à árvore a partir da adolescência e, até lá, os pais ficariam responsáveis em ensiná-lo sobre a vida, lhe explicar o propósito e prepará-lo para proteger a Anciã Samaúma de ameaças.).

  Em outras palavras, Najustí era provavelmente um kaiapó revoltado e/ou o renegado dos indígenas.

  Depois disso, Çuácêpé reuniu-se com os grandes herdeiros kayapós — desde adolescentes até adultos — para discutir sobre um possível traidor. Dentre eles, Matias era o mais experiente, tendo quase 70 anos de idade. Por isso que todos acreditavam que ele era a única esperança, por isso todos dependiam dele, do mais preparado para isso.

  Após a reunião, um tempo depois, cada grande herdeiro foi para cada país que sofria com a BACMGGSTP, havendo um que foi para a China para investigar Macau. Os infectados podiam ser salvos e seriam salvos graças ao sangue sagrado dos grandes herdeiros, pois a doença afetava aqueles que não possuíam sangue indígena ou sangue sagrado.

  Ainda assim, seria um processo um pouco demorado e vidas seriam perdidas, mas muitas seriam salvas. Com esse problema parcialmente resolvido, Çuácêpé poderia se preocupar com outros monstros, criaturas e entidades que o levaria até Najustí, era só questão de tempo.

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