O Caçador de Estelionatários | OBMM



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  Esse caçador atuava em outra dimensão, ele apenas buscava os estelionatários no plano real e os sequestrava, levando para o seu mundo de torturas psicológicas. 

  Não interagia com outros monstros e/ou entidades, era bastante misterioso. Ele parecia ajudar a população brasileira, não o oposto. Criminosos que voltavam para o plano real eram encontrados na maioria das vezes nas ruas ou em estradas, completamente paranoicos. Pareciam ter sofrido uma lavagem cerebral ou pareciam ter perdido a noção da realidade. 

  Quando questionados, respondiam que acordavam em uma cidade destruída, podre, sem luz, apenas escuridão e repleta de vítimas dos estelionatários, vítimas essas que torturavam os criminosos. Era como se fosse um inferno para esses delinquentes que tinham de fugir e se esconder, pois essa era a única forma de se defender. 

  Cada estelionatário vivia sua própria versão, o que significava que cada criminoso encontrava-se sozinho na mesma cidade. Ninguém se encontrava (exemplo: o nível 0 das Backrooms). Porém, todos eles sempre viam o mesmo caçador: esguio, corpo em chamas, boca e olhos perfeita e literamente redondos e escuros como a noite, sempre carregando uma bolsa com o cifrão estampado nela. 

  Cada criminoso sentia na pele o que suas vítimas passaram em vida. 

  Uns tentavam ser mais espertos do que a entidade e continuavam a cometer o crime, mas mal sabiam todos os estelionatários que eles estavam sempre sendo vigiados e que tinham tempo de desistir antes de fazerem vítimas. Na maioria das vezes, não desistiam e, consequentemente, acordavam num plano diferente, escuro e melancólico, com gritos de dor, angústia e fúria de fundo, como se estivessem no inferno. 

  O único ser que emitia luz era o caçador. Em outras palavras, os criminosos sentiam muito medo quando os gritos se aproximavam. No plano real, achavam que era bobagem, uma lenda, mas depois se arrependeram assim que foram para outra realidade. 

  Àqueles que eram pegos pelas vítimas na escuridão eram devorados até a morte, quando eram revividos e regenerados, continuando a sofrer (como Prometeu na mitologia grega); os que conseguiam se esconder eram rapidamente encontrados pelo caçador, que fazia os estelionatários abrirem suas bocas. 

  O caçador despejava todas as moedas que estavam presentes na bolsa de dinheiro; essas moedas, quando despejadas, iam diretamente na boca do estelionatário, o fazendo engolir. A bolsa não esvaziava nunca até que o corpo do indecente estivesse completamente lotado. 

  — Não era dinheiro que você queria? Pois bem, engula e não vomite! — Sua voz era furiosa, monstruosa e grave, sendo amendrontadora. 

  Quando seu corpo era completamente preenchido com moedas, o criminoso em seguida era queimado até os ossos. O que era interessante e intrigante ao mesmo tempo era que, quando tornava-se cinzas, as moedas que havia engolido continuavam intactas e estruturadas, representando o corpo humano. 

  Em outras palavras, unidas, as moedas engolidas formavam um corpo humano. Era como se esses estelionatários fossem transformados em moedas. 

  Caso houvesse algum cúmplice do estelionatário (seja família, amigos, etc.), o criminoso iria ver todas essas pessoas sofrerem sem poder fazer nada. Nesse momento, muitos deles apenas queriam morrer, mas quando finalmente achavam que morreriam, voltavam para a realidade completamente alterados, sendo presos no fim das contas. 

  Alguns tentavam superar, outros tiravam a própria vida... 

  A questão era: a população brasileira deveria se sentir um pouco segura por saber da existência de uma entidade que punia esses criminosos cruelmente? Muitas diziam que sim. 

  O Brasil já sofria com diversos monstros e entidades malignas. Essa entidade, depois de um tempo, veio a ser conhecida como: O Caçador de Estelionatários, um possível justiceiro. 

  "Vendi minhas coisas, minha casa... Vendi tudo pro meu dinheiro sumir! Vieram com uma proposta, aceitei, depositei, me induziram a continuar depositando pra fazer tarefas, aumentavam os preços dos pedidos..." 

  As vítimas que ainda viviam eram sempre ajudadas pela entidade, que abria a bolsa de dinheiro e despejava na frente de quem sofreu estelionato. Diversas notas de 100 iam ao chão, alegrando a vida dessas pessoas que, mais tarde (talvez), iriam se tornar vítimas de outros monstros. 

  As que não sobreviviam depois do crime cometido contra elas, eram "mandadas" para essa realidade, atormentando todos aqueles que fizeram o mal para muitos, e que agora estavam pagando por seus pecados.

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