A Lenda do Linguarudo | OBMM
Tempo estimado de leitura: 3:50 min.
— Entendemos! — responderam as crianças.
— É hora de dormir! Vão escovar os dentes!
As crianças se foram e ela permaneceu na sala, esperando por seu marido.
Horas depois...
— Brenda! — sussurrou uma voz assustadora ao seu ouvido. — Seu marido ainda não chegou; já são 3h10, Brenda. Ele prometeu que chegaria até às 23h, mas cadê? Eu te digo onde ele está.
Brenda ainda estava sonolenta.
— Acorda, porra! — gritou a voz, assustando-a.
Brenda olhou para os lados, estando completamente suada no sofá. As velas já estavam acabando, seus olhos estavam arregalados enquanto ela olhava para os lados. Havia percebido que a energia havia voltado.
— Seu marido se encontra em Nova Era. Está na casa de uma moça irresistível e charmosa.
— O quê?! Quem está aí?
— Brenda, você é idiota ou o quê? Estou te contando algo que não era pra você saber!
— Não é possível! Mas o Linguarudo era só lenda!
— Eu era uma lenda no século XX, mas estamos em outro século e em outros tempos.
— Você disse que meu marido está num...?
— Numa casa de uma moça irresistível e charmosa.
— E-eu não acredito em você!
— Pois veja com seus próprios olhos!
De repente, os olhos dela reviraram-se, sentindo-se paralisada, apenas podendo ver imagens que eram geradas na sua mente. Seu marido estava beijando uma mulher de longos cabelos no sofá, estando completamente agarrados, um beijando o pescoço do outro, passeando com as mãos pelos corpos.
Começou a ficar tão intenso que levantaram-se e foram para o quarto, se beijando e se agarrando até lá.
Em seguida, seus olhos voltaram ao normal e Brenda caiu de joelhos no chão, balançando a cabeça.
— Acredita em mim agora?
— É mentira!
Seus olhos voltaram a revirar-se e Brenda se levantou do chão.
— Sua estúpida imunda! Agora você vai acreditar!
Brenda foi até a cozinha e pegou uma faca afiada, saindo de casa, andando pelas ruas silenciosas de Palmares com os olhos ainda revirados, caminhando de forma agressiva, objetiva e decidida.
Mais uma imagem surgiu em sua cabeça. Dessa vez, ela via seu marido por cima da mulher de 4 na cama, começando a correr.
Quando chegou, arrombou a porta, entrando no quintal. Depois, arrombou a porta da sala, adentrando ao cômodo. Nesse momento, os dois haviam parado de fazer sexo e saído pelados do quarto, se deparando com a Brenda a poucos metros deles, com uma faca na mão e "possuída", isso na visão de seu marido.
Seus olhos voltaram ao normal e Brenda percebeu que estava com uma faca apontada na direção deles.
— Brenda, por favor, abaixa essa faca! — implorou seu marido.
Brenda olhou diretamente para o pênis coberto pela camisinha cheia de esperma, olhou para os seios expostos da mulher, pensou nas crianças, pensou na vida, pensou no futuro, pensou na família, pensou no que faria nesse momento e pensou se estava tendo um pesadelo.
E baixou a faca, mas ninguém se mexeu. A arma branca foi ao chão, e ninguém se mexeu.
— Sabe, Bruno, eu tô pensando aqui se eu seria mais feliz se eu não soubesse disso. Até quando eu seria feliz, eis a questão! Pelados, completamente pelados na minha frente! Tudo graças ao Linguarudo!
— O quê?! Está ficando louca, Brenda! Ele é só uma lenda!
— O que eu fiz pra você me trair?
— Droga! Eu sou um péssimo homem!
— O que nós vamos fazer agora? Acabou!
— Mas você agora mesmo estava possuída. — disse a mulher do cabelo longo.
— Em Nova Iguaçu, não existe lugar para segredos. Uma hora, eles são desvendados. — Lágrimas caíam de seu rosto. — Vão embora de Nova Iguaçu pra sempre!
— O quê?! — indagou seu marido, e Brenda revirou os olhos, levitando.
— Nunca mais pisem em Nova Iguaçu! — Sua voz havia se tornado grossa e monstruosa, deixando os dois paralisados. — Não se esconde segredos num lugar onde há Linguarudo.
E era com esse poder que o Linguarudo iria tornar o Brasil puro de novo.

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