O Ator Mortal | OBMM
Tempo estimado de leitura: 4:30 min.
"Uma 'produção' de Najustí."
— 7 a 1!? 7 a 1!? — Levantou-se do sofá-cama, jogando a garrafa vazia de cerveja na televisão, rachando a tela. — Vai tomar no cu!
"OBMM apresenta..."
Voltou ao sofá-cama, sentando-se e pondo as mãos no rosto, urrando de desgosto. Deitou-se e dormiu rapidamente, acordando no meio da madrugada e a televisão ainda estava ligada. Estava tão confuso que passou isso a parágrafos nos refletir texto deste.
Seus olhos melancólicos eram tão visíveis quanto sua olheira, deixando de pensar no que aconteceu na copa de 2014 e focando no momento atual que era 2015. Estava de terno e gravata, estando sentado à mesa de uma lanchonete no Pátio Central Shopping de Campo Grande, MS. Estava literalmente imóvel, como uma estátua.
Uma funcionária se aproximou dele e perguntou se ele iria querer alguma coisa.
Seu cabelo estava bagunçado como toda sua aparência.
Com um pesar na voz, respondeu:
— Eu queria poder voltar a atuar, mas o Matias está na minha cola. Eu só estava fazendo baderna por aí. Aquele maldito... Já tem bastante tempo que...
A funcionária afastou-se dele, o deixando falar sozinho.
Rapidamente, ele levantou-se e, com as duas mãos, quebrou a mesa da lanchonete, partindo-a ao meio.
— Já tinha bastante tempo que eu não fazia isso, mas não resisti! — berrou, assustando pessoas e suas famílias. Seu grito alastrou-se por todo o shopping. — Me ignorou por quê, sua vagabunda?
Irritado, ele destruiu mais mesas e apavorou as pessoas que correram dele. Destruiu o balcão, entrou na lanchonete e destruiu cozinha, local de descanso e tudo o que havia para destruir. Depois saiu e continuou a vagar pelo shopping, destruindo lojas de roupas, caixas eletrônicos, mercados e lojas de eletrodomésticos.
Seguranças já haviam sido chamados, mas foram lançados do segundo andar para a morte. Ele não matava a não ser que tentassem pará-lo, sempre dizendo que queria voltar a atuar, mas que as portas nunca se abriram, tendo que trabalhar num emprego que considerava medíocre para um talentoso como esse homem.
Trabalhava como vendedor numa empresa de eletrodomésticos que considerava medíocre, irritando-se com os clientes e funcionários, isso em meados de 2011.
Foi demitido por conta de seu comportamento, quando conheceu Najustí no início de 2012 e as coisas mudaram.
— Você é fácil de manipular, Humberto! Vejo potencial em você, filho. Está cansado de injustiças, do povo brasileiro e do atual Brasil, não é? Pois bem, te prometo que isso irá mudar!
Ele começou a levitar, seus olhos tornaram-se brancos e brilhosos, recebendo altas doses de energia sobrenatural. Najustí sorria.
"O Ator Mortal, por Najustí."
Em 1999...
— Filho, desliga o videogame.
Um pré-adolescente de 11 anos controlava uma criatura azul que devorava pessoas, pulava em cima de e destruía prédios, helicópteros e outros veículos militares (e comuns, também), destruindo até metrôs. Seus olhos brilhavam sempre quando jogava esse jogo.
— Humberto, já desligou o videogame? Desliga isso aí, senão sua janta vai ir pro cachorro. — avisou sua mãe, estando ela na cozinha e Humberto na sala.
— Tô terminando, mãe! — Sua vida esvaziou com diversos tiros e por causa do lança-chamas do soldado de jetpack, apareceu "continue" na tela, e a criatura azul voltou a ser humano. — Até mais, Ralph!
Desligou o console.
Na janta, assistia televisão, vendo um desenho de três meninas com poderes incríveis, mas o que lhe chamava atenção era a dublagem. Assistia diversos desenhos dublados e tentava imitar as vozes dos personagens na frente do espelho, quando descobriu o mundo da atuação.
Sua imitação era horrorosa na visão de muitas pessoas da escola, pessoas essas que zombavam do garoto. Seus amigos também não suportavam e pediam para que ele parasse, mas nunca desistiu, se encontrando consequentemente sozinho depois de se tornar o mais inconveniente do colégio.
Se tornou bastante famoso em Campo Grande por conta de suas imitações nas ruas mais movimentadas da cidade. Porém, tornou-se conhecido não pelos bons motivos, o que o fez desistir de seguir carreira e de cursar teatro.
Tornou-se amargurado com o passar dos anos, começando a trabalhar como assistente de loja numa empresa de eletrodomésticos em 2010 e se tornando vendedor um ano depois. Enquanto isso, via diversos atores "com a vida feita" e sentia que estava desperdiçando seu tempo.
Depois de receber os poderes, ele voltou na filial que trabalhava e destruiu tudo, fugindo e sumindo por uma semana, quando destruiu a escola que estudava e fugiu. A população já estava preocupada e ciente do que acontecia, e Matias foi rapidamente convocado para dar um fim nisso.
Depois de destruir lugares específicos, foi encontrado por Matias. Não houve luta ou algo mais agressivo, somente diálogo. Humberto ficou com medo e parou de fazer o que estava fazendo, mas não resistiu e voltou a fazer o que gostava de fazer.
Ele enxergava a vida como um enorme teatro e sempre dizia que estava apenas interpretando um personagem fictício que recebeu o nome de O Ator Mortal, mortal para aqueles que tentassem impedi-lo de fazer o que bem entendia. Matias tinha diversos problemas mais importantes para resolver no momento, e Campo Grande voltou a sentir o terror de ataques imprevisíveis vindo de um ser que não pensava no próximo.
Nesse ponto, o povo brasileiro já estava cansado de depender do Matias e eles passaram a agir por conta própria.
Humberto era covarde e acabou se escondendo outra vez, deixando Campo Grande em paz até os dias atuais.
Seu paradeiro era um mistério para as pessoas.
Seus pais e o resto da família, depois que souberam dos atos abomináveis de Humberto, o desprezaram e se mudaram para a Espanha, desaparecendo do Brasil rapidamente.
"Fim!"

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